quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Eleições na Federação Espírita Piauiense. Como funciona o processo de escolha dos seus dirigentes

No último dia 06 (domingo), foi realizada na Federação Espírita Piauiense a primeira etapa para a escolha dos dirigentes da instituição para o triênio 2016-2018. A segunda etapa, de acordo com o Estatuto, acontecerá no próximo dia 13. Para explicar o processo eleitoral da FEPI, elaboramos o resumo abaixo.


Primeiro domingo de dezembro
A cada 3 anos, é convocada uma Assembleia Geral, que se reúne no primeiro domingo de dezembro. Ela tem por finalidade, escolher, através de votação secreta, os 13 membros titulares e 5 suplentes do Conselho Deliberativo e os 3 membros titulares e 3 suplentes do Conselho Fiscal da FEPI.

Quem pode votar e ser votado?
Todos os integrantes da Assembleia Geral têm direito de votar e de serem votados. Ela é composta basicamente pelos associados efetivos (pessoas físicas), pelos membros dos conselhos deliberativo e fiscal, pelo presidente e pelos vice-presidentes da FEPI e pelos associados federativos (centros espíritas adesos). As candidaturas são individuais e registradas antecipadamente.

Qual a função dos conselhos?
O Conselho Fiscal tem como principal finalidade examinar e fiscalizar a gestão financeira e econômica da FEPI. O Conselho Deliberativo, por sua vez, é o órgão de deliberação interna da Assembleia Geral. Possui várias funções, mas as principais são estabelecer as diretrizes de atuação da FEPI e opinar e deliberar sobre assuntos de ordem administrativa ou doutrinária.

Segundo domingo de dezembro
Nessa etapa, os 13 membros eleitos para o Conselho Deliberativo se reúnem no segundo domingo de dezembro, para eleger, entre si, o presidente e o secretário do Conselho Deliberativo. Em seguida, são eleitos, da mesma forma, o Presidente e os 3 vice-presidentes da FEPI. Com a saída dos mesmos para a Diretoria Executiva, o Conselho Deliberativo passa a funcionar com 9 membros até o final do triênio. A posse do presidente e do secretário do conselho acontece na mesma reunião.

Diretoria Executiva
A Diretoria Executiva tem, basicamente, a função de administrar a instituição. Ela é formada pelo presidente e pelos 3 vice-presidentes, eleitos pelo Conselho Deliberativo e pelo 1º e 2º tesoureiros e 1º e 2º secretários, escolhidos pelo presidente. Cada um dos vice-presidentes possui atribuições específicas, definidas no Estatuto. A posse da Diretoria se dá na segunda quinzena de janeiro do ano seguinte, assim como a posse dos membros do Conselho Fiscal.
 

 



Comissão Eleitoral e mesários nas Eleições da FEPI (06/12/2015).






sábado, 7 de março de 2015

Divaldo Franco: a trajetória de um dos maiores médiuns de todos os tempos




Lançado no último dia 23 de fevereiro, o livro “Divaldo Franco: a trajetória de um dos maiores médiuns de todos os tempos”, de autoria da historiadora Ana Landi, é muito gostoso de se ler.

Os textos, muito bem redigidos e diretos, são de fácil entendimento, mesmo para quem não é espírita. As belas fotos, coloridas e em preto e branco, estão harmonicamente distribuídas na obra. A cada capítulo cria-se a expectativa pelo próximo, que pode ter certeza, será tão bom quanto o anterior. Não há, verdadeiramente, nada desinteressante no livro.

E até quem já conhece muito da trajetória do médium baiano, vai se deparar, aqui ou acolá, com uma novidade, um detalhe desconhecido de uma história conhecida ou uma revelação espiritual dos últimos anos. E acima de tudo, se inspirar com a trajetória, não só de um dos maiores médiuns, mas sobretudo, de um grande cristão.  

                                                   Ana Landi e Divaldo Franco no lançamento do livro.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Definindo o tema da palestra na casa espírita



A abordagem deve sempre tratar de temas relacionados ao Espiritismo.

* * *
Osmar Marthi

Amigo leitor, convido você a responder a seguinte questão: se você fosse a uma universidade, digamos, no curso de Matemática, como convidado para assistir a uma aula, esperaria o que? A resposta parece óbvia: assuntos relacionados ao curso, como trigonometria, álgebra, geometria, etc.

Pois bem, dá-se o mesmo com a casa espírita. Se você vai a uma instituição que segue e procura divulgar a Doutrina espírita, pautando suas atividades na Codificação kardequiana, como toda instituição espírita deve fazer, espera encontrar ali, na exposição da palestra pública, assuntos relacionados à vida do Espírito, seja ele encarnado ou desencarnado, sob a ótica e orientação da Doutrina Espírita, com bibliografia utilizada para tal nas obras básicas e complementares, como a obra mediúnica de Chico Xavier, Divaldo Pereira Franco, as obras de Herculano Pires, Hermínio C. Miranda, por exemplo, que são também referências na Doutrina Espírita.

Mas nem sempre isso ocorre. Muitas vezes encontramos companheiros expositores nas casas espíritas, com boa vontade – ressalte-se –, abordando os mais diversos temas, o que é louvável, mas sem uma gota sequer de Doutrina Espírita; muitas vezes expondo suas opiniões pessoais, ou de autores notadamente divergentes com a Codificação, fato que nos preocupa, já que o espaço para divulgação e ensino da Doutrina Espírita deve ser a casa espírita, afinal para isso ela existe.

Claro que sempre iremos orientar o ser que nos procura, atendendo suas necessidades, mas sempre sob a ótica e propostas da Doutrina Espírita. Mesmo parecendo óbvia, faz-se necessária esta análise, como apelo a dirigentes e expositores para que meditem profundamente na questão, sob o grave risco de termos casas espíritas apenas com o Espiritismo em seu nome, ou constando em seus estatutos, mas totalmente ausente em seus ensinos.

Lembremo-nos de que a reunião pública na casa espírita é a porta de entrada do neófito da Doutrina a seus ensinos, portanto, conforme o que ele ouvir ali, fará ideia do que seja a própria Doutrina Espírita, decidirá continuar ou não como freqüentador da casa, adepto da Doutrina Espírita e mais, será orientado, consolado ou não...

Temos em nossas mentes, corações e mãos precioso conjunto de princípios morais religiosos, embasados na ciência e filosofia espíritas, arduamente pesquisados e codificados pelo insigne Allan Kardec, sob a égide do Espírito de Verdade, de profundas orientações para a humanidade. E o que fazemos com esse inestimável recurso moral? Ignoramos e falamos de assuntos os mais diversos, ou aprofundamo-nos nessa inesgotável fonte de luzes e as espargimos aos corações sedentos que a buscam?

Ensina-nos Herculano Pires, o “metro que melhor mediu Kardec”, no dizer de Emmanuel: “Os serviços mais urgentes de cada centro são os de instrução doutrinária de velhos e novos adeptos, tanto uns como outros carentes de conhecimento doutrinário. Bem executado esse serviço, todos os demais serão feitos com mais facilidade.”1

E também a querida professora Therezinha Oliveira: “...o objetivo maior da Oratória a Serviço do Espiritismo, (...) é o de instruir adequadamente os freqüentadores do centro, para que assimilem o melhor possível, os princípios da Doutrina e a essência do Evangelho.”2

Talvez se argumente que os textos da Codificação devam ser estudados em cursos específicos, com pessoas que tenham um interesse específico no aprofundamento do conhecimento. Sim, teremos grupos de estudos com esse perfil, mas não podemos abdicar de divulgar as obras de Kardec sempre numa reunião pública, levando ao público, conforme seu perfil, esse conteúdo, adequando-se técnicas de exposição, tempo, abordagem e aprofundamento, afinal, aquele que busca a casa espírita espera e merece receber a Doutrina Espírita, tocando sua mente e seu coração.

Essa é a missão do dirigente e do expositor espírita e que nos será cobrada.

1. PIRES, J. Herculano. O Centro Espírita. Cap. II, pag. 1, 1.ed. Editora Paidéia, janeiro de 1980.
2. OLIVEIRA, Therezinha. Oratória a Serviço do Espiritismo. Coleção Estudos e Cursos. pag.11 e 12, 5.ed. Departamento Editorial do Centro Espírita Allan Kardec, Campinas-SP.

O autor é economiário, licenciado e pós-graduado em Língua Portuguesa e expositor espírita; vincula-se à Sociedade Espírita e Filantrópica Irmã Francisca, de Sorocaba-SP.

Fonte: Revista Internacional de Espiritismo, Dezembro/2013.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

O que a física quântica tem a ver com o espiritismo?

Escrito por Eliana Haddad   

Há pouco mais de um século, o físico Max Planck tentava compreender a energia irradiada pelo espectro da radiação térmica, calor que todos  os corpos emitem, e chegou a algumas conclusões que balançaram os princípios da física clássica. Nascia assim a física ou mecânica quântica, trazendo novos conceitos, como a não localidade.
Mas o que a física quântica tem a ver com espiritualidade? Em entrevista ao Correio Fraterno, o doutor e professor de física no Departamento de Física da Faculdade de Ciências da UNESP, em Bauru, Alexandre Fontes da Fonseca*, fala sobre o assunto e alerta para as conclusões apressadas e indevidas ao se falar sobre o tema no meio espírita.

O que é física quântica?
Física quântica é o ramo da física que estuda e descreve o comportamento da matéria em escala microscópica (atômica e subatômica). Ela se baseia no fato de que trocas de energia entre sistemas atômicos só podem ocorrer em múltiplos de um determinado valor que é, então, chamado de quantum, daí o adjetivo 'quântico'. A energia do sistema não pode ter qualquer valor, mas apenas valores associados a determinados 'estados físicos'. Podemos comparar esses 'estados físicos' a prateleiras de uma estante. Os livros só podem se situar em alturas dadas por cada prateleira, mas nunca entre uma prateleira e outra.A física quântica, é preciso enfatizar, é uma teoria da matéria, isto é, desenvolvida para descrever o comportamento de objetos materiais.

O que a física quântica tem a ver com o espiritismo? Precisamos dela para compreendê-lo?
Não tem nada a ver com o espiritismo. Ambas são teorias diferentes, desenvolvidas para descrição de 'objetos' de estudo distintos. Enquanto a física quântica é uma teoria da matéria, o espiritismo é a ciência do espírito.
Para apreender e compreender o espiritismo e seus pontos fundamentais, em nada precisamos da física quântica ou de outras teorias modernas da ciência.

Percebe-se um alvoroçado interesse dos espíritas pela física quântica, muitas vezes para justificar a existência do espírito. Isso está correto?
Apesar de a intenção ser boa, isso não está correto! Esse interesse decorre de algumas interpretações 'estranhas' da teoria quântica (isto é, que estão fora do senso-comum) que fazem pensar que os fenômenos espíritas (também considerados fora do senso-comum) devam ter relação direta com essas interpretações. Esse tipo de extrapolação ou relação superficial entre conceitos da física e do espiritismo não é uma prática científica!

Como assim, interpretações estranhas? Pode dar um exemplo?
Ao tentar entender o comportamento quântico das partículas em nível microscópico, surgem interpretações como: um objeto pode estar em mais de um lugar ao mesmo tempo; influência da consciência do observador nas medidas experimentais; uma partícula pode se comportar como uma onda e vice-versa; a existência de universos paralelos; ligação não local, etc.
Essas interpretações são estranhas, pois decorrem da tentativa de se perceber o comportamento das partículas microscópicas com as impressões que temos do mundo macroscópico, através dos nossos cinco sentidos. Essa é apenas uma das razões para evitar que se façam relações superficiais entre conceitos quânticos e conceitos espíritas.

Mas que problemas acarretariam a aceitação desse tipo de relação entre física quântica e espiritismo?
A invigilância e a falta de conhecimento sobre o que é ciência e de como ela progride favorecem a abertura de brechas no movimento espírita para a assimilação de teorias e doutrinas pseudocientíficas que, por usarem conceitos da física quântica na sua descrição, encantam as pessoas fazendo-as achar que se trata de teorias e doutrinas científicas. Como Kardec, em A gênese, propõe que o espiritismo esteja sempre de acordo com a ciência, alguns companheiros espíritas um pouco apressados e sem entendimento profissional do assunto adotam e propagam algumas teorias e práticas místicas, só porque elas se consideram científicas por usarem conceitos da física. Esquecem-se de que o espiritismo orienta que "é melhor repelir dez verdades do que admitir uma só falsidade" (Erasto, item 230 de O livro dos médiuns). A vigilância, portanto, com relação a esse tipo de assunto deve ser mais que redobrada! E tem gente se aproveitando da ignorância do público leigo para ganhar dinheiro com venda de livros, dvds, seminários, documentários, cursos, congressos, etc., todos utilizando-se o adjetivo "quântico" sem ter respaldo formal e rigoroso da física. O movimento espírita deve se precaver contra isso. Se estudarem a fundo o que é ciência, o que é física e, o mais importante, o que é o espiritismo, muitas dessas confusões vão deixar de existir.

Você teria exemplos de teorias e práticas baseadas na física quântica que mesmo bem intencionadas carecem de bases científicas?
Sim. Uma dessas teorias, que tem sido muito divulgada no movimento espírita, como demonstração científica de conceitos como Deus, alma, reencarnação e mediunidade, está contida na obra Física da alma, de Amit Goswami. Segundo ele, a alma após o desencarne permanece num estado permanente de sono, que perdura até a próxima encarnação. Para Goswami, o mundo espiritual não tem graça, por permanecerem os espíritos inconscientes. Nosso Lar e André Luiz não existem no mundo espiritual de Goswami. Vê-se que não precisa saber de física quântica para perceber o absurdo doutrinário de suas teorias!
Outra teoria que tem atraído alguns companheiros espíritas é a chamada apometria. Ela surgiu como uma técnica de desdobramento destinada a ajudar pessoas com problemas espirituais e de saúde. Suas obras básicas são apresentadas como totalmente baseadas em conceitos e equações da física. Porém, a teoria usa de maneira equivocada os conceitos da física, faz extrapolações no campo da pesquisa de maneira inapropriada e define equações sem nenhuma coerência interna ou com relação à física, não satisfazendo os rigores mínimos de desenvolvimento nessa área.
Há também uma teoria baseada na física conhecida e respeitada no movimento espírita. O autor dedicou muitos anos à pesquisa de fenômenos espíritas e foi muito idealista, além de pessoa fraterna e inteligente deixando inúmeros amigos e seguidores. Trata-se da teoria corpuscular do espírito ou, mais recente, teoria do psi quântico, de Hernani G. Andrade. Hernani propôs uma teoria para a matéria psi similar à teoria quântica da matéria, propondo que o espírito fosse composto por essa matéria. A ideia é interessante, porém a forma como as partículas da matéria psi foram propostas não seguiram metodologia e rigores que se empregam na pesquisa e desenvolvimento de novas teorias em física. A teoria de Hernani contém erros de física, além de extrapolar conceitos sem o devido rigor formal usado na física. Apesar de valer a leitura pelas informações e pela criatividade, o psi quântico não pode ser considerado uma teoria científica legítima.

Para o espiritismo, temos na base de tudo Deus, espírito e matéria. Onde a física quântica se encaixaria?
A física quântica nada mais é do que uma criação humana para tentar descrever alguns fenômenos naturais em escala microscópica. É uma tentativa de entender, utilizando-se uma sofisticada linguagem matemática, algumas leis naturais válidas para a matéria.

Afinal, existe uma 'nova física' que possibilitaria outras vias de acesso ao conhecimento, além dos métodos da ciência atual? Que novidade é essa?
Não existe 'nova física' que possibilite outra via de acesso ao conhecimento! "Para coisas novas precisamos de palavras novas", já dizia Kardec! Quando uma nova via de acesso ao conhecimento surgir, será preciso dar um nome novo para distingui-la das vias de acesso conhecidas. Precisará também ser testada e verificada como, de fato, uma "via de acesso ao conhecimento". Os defensores de uma nova física apenas estão pretendendo valorizar conceitos místicos, usando o status que a física tem na sociedade. Isso é uma forma moderna de enganar o público leigo que não conhece física e não sabe avaliar cientificamente a 'novidade'. É preciso tomar muito cuidado, lembrando que Kardec sempre apoiou a ciência formal e não movimentos pseudocientíficos.

Na sua visão, a física quântica vai identificar a existência do espírito, como inteligência, independente da matéria?
Não! Não é a física quântica a origem da inteligência no espírito! O espírito se revela pelo conteúdo de suas mensagens! E foi assim que o espiritismo identificou e comprovou a existência da alma, sua sobrevivência e a possibilidade de comunicação com os encarnados. No máximo, a física um dia irá contribuir no entendimento de como ocorre a interação entre fluidos espirituais (perispírito, por exemplo) e matéria (corpo físico).
Devemos combater a tentação de obter mérito sem o devido aprofundamento no estudo. Espiritismo é uma doutrina ao mesmo tempo simples e robusta. Simples nos seus propósitos de regeneração da humanidade através da regeneração de cada um de nós; e robusta nas suas bases que não são somente científicas, mas também divinas. O espiritismo é a única doutrina conhecida na humanidade que tem um duplo caráter de uma revelação: o caráter divino e o científico (Kardec, item 13 do cap. I deA gênese). Portanto, saibamos valorizar o espiritismo na forma como foi revelado pelos bons espíritos, pois temos um compromisso de estudá-lo e compreendê-lo, para então poder ajudá-lo a se desenvolver dentro dos parâmetros de qualidade e seriedade que o tornarão conhecido e respeitado por todos.

*Participa no Centro Espírita Amor e Caridade, em Bauru, SP, e da Liga de Pesquisadores do Espiritismo. É fundador do Jornal de Estudos Espíritas (JEE), publicação online dedicada com artigos de pesquisa espírita.  

Veja a entrevista na versão ampliada  de Alexandre Fontes da Fonseca, incluindo as respectivas referências bibliográficas.

Texto publicado no jornal Correio Fraterno, edição 452 - julho-agosto/2013